sábado, 29 de abril de 2017

Underground


Escondem um homem atrás de uma câmara de videovigilância,
o rosto anónimo multiplica-se, exponência milhares de milhões
não existe fisionomia, apenas gestos e o delito ordinário;
não procuram ladrões nem assassinos - só daqueles que remam
contra a maré - do tipo de homem que não se resigna
a quem chamam de doente numa sociedade séptica.

O visor da enfermaria vigiando o suicídio, porque
nos tomam à força para sermos comuns, até quando
a normopatia carrega estridente sobre a boca para dentro:
calhando falar demais acerca do qual como é:
comprimido para dentro, língua seca para beijos químicos
como gatos lambendo carinhos físicos que doem.

Regista o compasso, escreve nas paredes as orações;
Deus deixou de ouvir - é necessário tornar as preces
em Neons ininterruptos, para quando a noite caia
e o silêncio seja de ordem obrigatória - até para aqueles
que caminham mudos sobre a luz de tochas sagradas.





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