Distorção mental, minha querida amiga,
sublinhei demasiados versos de amor:
ele julga demasiado cedo, mas nenhuma
palavra me passou ao lado. Deixo em branco
a naturalidade da vida, não há necessidade
em fazer perdurar a banalidade circunstancial.
Não me interessam as manchetes, os negritos,
as coisas que nos gritam à primeira-vista.
Somos todos unos das ideias textuais
prometidas tão somente aos escolhidos.
Somos todos parecidos no momento de
de soletrar as preciosidades sacras
que obscurecem todos os grandes livros.
De sermos vulgares até na morte e do seu
"após" ser risco de tinta, perceptível mancha
deixada ao cuidado do próximo leitor.
quarta-feira, 10 de maio de 2017
terça-feira, 9 de maio de 2017
Mãe Crua
Reordeno as palavras, tenho muito a dizer
com o pouco significado empreendido entre
pesadelos, atitudes francas e díspares da
realidade fragmentada com que alimentas a
tua crueldade emocional. Sou só uma presa
de fáceis argumentos à locura, Sou só
depósito de inferno alheio - Uma curiosidade
com que mudo a música que te dedico: No Woman
No Cry. Se existissem, por via das dúvidas,
lágrimas dentro dos teus olhos: Lê-me,
estou aqui para essa inexistência Azul.
Pertenço-te, como o crucifixo de ouro no
teu pescoço, beleza fria e maçiça que tanto
vale sobre a brancura da tez, que tão pouco
é na sua sublime biologia simbólica - Que
tão pouco sou perante qualquer enredo mortal.
Mordes-me a poesia até cair a palavra Sangue,
esventras os versos, dás-me a novidade formal
tudo no seu devido lugar: como uma criança
finalmente educada à força de um cinto.
Dói-me a descompostura espiritual:
rego essa Existência com o medo, um pouco
do teu dedo, da tua mão Alba mão que faz aparecer
e desaparecer em nome do teu Anjo Caído;
o Nosso Anjo prestes a desencontrar até
a sua própria sombra: Vejo a sua mão na tua
eterno gestante dentro de um ventre de Cristal.
com o pouco significado empreendido entre
pesadelos, atitudes francas e díspares da
realidade fragmentada com que alimentas a
tua crueldade emocional. Sou só uma presa
de fáceis argumentos à locura, Sou só
depósito de inferno alheio - Uma curiosidade
com que mudo a música que te dedico: No Woman
No Cry. Se existissem, por via das dúvidas,
lágrimas dentro dos teus olhos: Lê-me,
estou aqui para essa inexistência Azul.
Pertenço-te, como o crucifixo de ouro no
teu pescoço, beleza fria e maçiça que tanto
vale sobre a brancura da tez, que tão pouco
é na sua sublime biologia simbólica - Que
tão pouco sou perante qualquer enredo mortal.
Mordes-me a poesia até cair a palavra Sangue,
esventras os versos, dás-me a novidade formal
tudo no seu devido lugar: como uma criança
finalmente educada à força de um cinto.
Dói-me a descompostura espiritual:
rego essa Existência com o medo, um pouco
do teu dedo, da tua mão Alba mão que faz aparecer
e desaparecer em nome do teu Anjo Caído;
o Nosso Anjo prestes a desencontrar até
a sua própria sombra: Vejo a sua mão na tua
eterno gestante dentro de um ventre de Cristal.
terça-feira, 2 de maio de 2017
Magia Negra
Tenho um feitiço dentro de mim, os sonhos
revoltos, hignagógicos demónios empurrando
a maca de volta à psiquiatria, Jung falando
de Sincronias, avisos de morte e cobras de plástico
brincadeiras travessas em nome da pureza:
diagnósticos errados através do DSM V
a bíblia de Satanás marcando o gado no seu devido
anel dantesco - pertenço à classe de malditos
esquizoafetivos: tudo a fazer de conta,
como meninas saltando à corda num dia de sol:
as boquinhas abertas cantarolando infâncias
e terríveis-poetas escrevendo amores criptográficos
com palavras vendidas ao peso dos astros.
revoltos, hignagógicos demónios empurrando
a maca de volta à psiquiatria, Jung falando
de Sincronias, avisos de morte e cobras de plástico
brincadeiras travessas em nome da pureza:
diagnósticos errados através do DSM V
a bíblia de Satanás marcando o gado no seu devido
anel dantesco - pertenço à classe de malditos
esquizoafetivos: tudo a fazer de conta,
como meninas saltando à corda num dia de sol:
as boquinhas abertas cantarolando infâncias
e terríveis-poetas escrevendo amores criptográficos
com palavras vendidas ao peso dos astros.
segunda-feira, 1 de maio de 2017
Freakshow
Sou a Mulher emocionalmente decepada,
batem palmas por cada desastre amoroso
por cada lágrima à conta das músicas melancólicas,
cresce-me uma barba salgada que toda a gente
quer mexer, acariciar como se fosse pelo de visón
folículos, raizes de metrópoles em todo o meu rosto
pessoas que são como animais em viveiros
das que fazem envelhecer e tornam as rugas
em estradas de carreiros em constante atraso.
Cegam-me os olhos as luzes de ribaltas
e os risos das crianças apodrecem os dentes
com lânguidas misturas de algodão-doce e o
destino de incerta prisão mental - tenho medo
do lucro deste espectáculo, do Grande Domador
agitando a chibata contra esta feia maneira ser;
do público que entra e se acomoda silencioso
para ver passar a Mulher sem oriente.
batem palmas por cada desastre amoroso
por cada lágrima à conta das músicas melancólicas,
cresce-me uma barba salgada que toda a gente
quer mexer, acariciar como se fosse pelo de visón
folículos, raizes de metrópoles em todo o meu rosto
pessoas que são como animais em viveiros
das que fazem envelhecer e tornam as rugas
em estradas de carreiros em constante atraso.
Cegam-me os olhos as luzes de ribaltas
e os risos das crianças apodrecem os dentes
com lânguidas misturas de algodão-doce e o
destino de incerta prisão mental - tenho medo
do lucro deste espectáculo, do Grande Domador
agitando a chibata contra esta feia maneira ser;
do público que entra e se acomoda silencioso
para ver passar a Mulher sem oriente.
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