Sou a Mulher emocionalmente decepada,
batem palmas por cada desastre amoroso
por cada lágrima à conta das músicas melancólicas,
cresce-me uma barba salgada que toda a gente
quer mexer, acariciar como se fosse pelo de visón
folículos, raizes de metrópoles em todo o meu rosto
pessoas que são como animais em viveiros
das que fazem envelhecer e tornam as rugas
em estradas de carreiros em constante atraso.
Cegam-me os olhos as luzes de ribaltas
e os risos das crianças apodrecem os dentes
com lânguidas misturas de algodão-doce e o
destino de incerta prisão mental - tenho medo
do lucro deste espectáculo, do Grande Domador
agitando a chibata contra esta feia maneira ser;
do público que entra e se acomoda silencioso
para ver passar a Mulher sem oriente.

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