Quero escrever para ninguém,
mas só até ao momento de chegar alguém
que leia sapientemente o meu eu.
Ou de disposição suficiente
para aprender de novo o alfabeto,
de errar o primeiro conjunto de letras
como em qualquer mau poema
uma necessidade absoluta para a criação
de pelo menos um verso bom.
Uma vida inteira para encontrar
as palavras certas no coração de alguém.
Só assim parecem sair de mim
os conjuntos desordenados de ideias
a quem tanto quero dedicar
a Ninguém, outro alguém.
Sem comentários:
Enviar um comentário