- Vamos habitar um outro Universo - dizia Cândido -, e é decerto que nele que tudo está bem. Porque é justo confessar que nos poderíamos queixar um bocado do que se passa no nosso, física e moralmente.
- Amo-vos de todo o meu coração - dizia Cunegundes -, mas tenho a alma sofrida do que vi e do que sofri.
- Tudo irá bem - replicou Cândido - O mas desse Novo Mundo é já melhor do que os mares da nossa Europa. É mais calmo, com ventos mais constantes. É certamente no Novo Mundo que existe o melhor dos Universos possíveis.
- Deus queira! - exclamava Cunegundes. - Mas fui tão desgraçada no meu que quase fechei o coração à esperança.
- Lastimais-vos - disse a velha -, e, contundo não experimentastes infortúnios semelhantes aos meus
Cunegundes sorriu e achou engraçado que a boa velhota pretendesse ter sido mais desventurada do que ela"
Cândido ou o Optimismo
Voltaire

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